As eleições nacionais nem sequer terminaram, e outra eleição já está tomando conta dos bastidores políticos de Sapezal. A disputa pela Mesa Diretora da Câmara Municipal, marcada para o dia 14 de dezembro, teve sua primeira chapa protocolada. A movimentação, inicialmente considerada um lance certeiro, também pode acabar se transformando em um verdadeiro tiro no pé.
À frente da chapa está o vereador Miguelzinho da Cacoré (União), que conseguiu trazer para junto de si o bloco do PL, que até então fazia uma espécie de "oposição branda" na Casa de Leis.
Além de Cacoré, compõem a chapa André da ALT (PL), como primeiro vice-presidente; Professor Leandro (PL), como primeiro secretário; Niltinho (Republicanos), como segundo vice-presidente; e Enfermeiro Joilson (PSDB), como segundo secretário.
Outro nome que completa o bloco do PL é o vereador Eliston do Papagaio (PL), cujo apoio seria o voto decisivo para garantir a maioria necessária à chapa.
O registro pegou os demais vereadores e até mesmo o prefeito Claudio Scariote (Republicanos) de surpresa. Isso porque, de acordo com informações de bastidores, o nome preferido de Scariote, que vinha sendo articulado para encabeçar uma chapa, era o do vereador Márcio Bonifácio (Republicanos). No entanto, sua possível candidatura à presidência não vinha sendo bem recebida pelos demais aliados.
Outro nome que também vinha sendo sondado e trabalhava nos bastidores era o da vereadora Bárbara Sachetti (União), que igualmente foi pega de surpresa, assim como o atual presidente da Câmara, Antônio Rodrigues (PP).
Informações que circulavam nos bastidores também apontavam que o principal articulador da chapa teria sido o ex-prefeito Valcir Casagrande. Com isso, ele teria passado por cima de seu aliado, Claudio Scariote, nas articulações para a Mesa Diretora.
Essa informação, porém, foi negada por Cacoré, que afirmou que a decisão partiu dos próprios vereadores, sem qualquer interferência ou ingerência do ex-prefeito.
Ao ser questionado se a formação da chapa teria passado pelo aval de Scariote, Cacoré foi enfático:
"O que Claudio quer acabou, ele não manda na Câmara."
Lance certeiro ou tiro no pé?
Apesar de a chapa ter sido registrada com antecedência, nem todos enxergam a movimentação como uma estratégia acertada.
Para alguns vereadores ouvidos pela equipe do Spz Online, o registro antecipado pode acabar se transformando em um tiro no pé. Isso porque a iniciativa dá tempo para que os demais parlamentares se reorganizem, intensifiquem as conversas e articulem o registro de uma chapa concorrente.
A matemática política é simples: considerando a composição atual de onze vereadores, bastaria convencer um único parlamentar do grupo que hoje sinaliza apoio a Cacoré para alterar a correlação de forças e formar uma nova maioria.
Há, porém, um detalhe importante nessa disputa. Pelas regras de registro de chapas relatadas à reportagem, uma vez registrada a candidatura, os integrantes podem desistir, mas não podem passar a compor outra chapa. Isso significa que uma eventual mudança de apoio não necessariamente permitiria ao parlamentar integrar uma nova composição, embora seu voto ainda possa ser determinante na eleição.
Assim, o que inicialmente parecia uma jogada de mestre pode acabar dando aos adversários justamente aquilo de que mais precisam: tempo para conversar, negociar e construir uma alternativa.
A eleição está marcada para 14 de dezembro, e até lá muita água ainda deve passar por baixo dessa ponte.
Se, por um lado, Cacoré saiu na frente e colocou sua chapa oficialmente na disputa, por outro, acabou antecipando o jogo e dando aos demais vereadores a oportunidade de reorganizar suas peças no tabuleiro político.
Afinal, na política, sair na frente nem sempre significa chegar primeiro.

Spz Online
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