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Sexta-feira, 18 de Setembro 2026
Eleições 2026

Abstenção nas urnas no Brasil é impulsionada por solidão e exaustão mental

Levantamento inédito do Datafolha e da Plataforma Avaaz detalha os impactos da dependência digital e do isolamento social no voto.

Agência Brasil
Por Agência Brasil
Abstenção nas urnas no Brasil é impulsionada por solidão e exaustão mental
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A abstenção nas urnas no Brasil tem crescido ano após ano não apenas por desilusão política, mas devido à exaustão mental e à solidão. Essa constatação inédita faz parte da Pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha.

O estudo associou a falta de laços comunitários e de contato com a natureza ao desinteresse pela política. Cerca de 30 milhões de eleitores deixaram de votar nos últimos pleitos. Por trás desse cenário, os pesquisadores identificaram uma epidemia de isolamento e dependência digital.

Em contrapartida, a pesquisa revelou que os brasileiros que mantêm forte conexão social consideram a democracia inegociável. Para Nana Queiroz, diretora do Projeto Desapocalíptica do Avaaz, os indivíduos isolados entram em um ciclo altamente destrutivo.

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Segundo a especialista, esse público recorre à televisão e às redes sociais como uma forma de anestesia contra o cansaço cotidiano. As plataformas digitais mantêm os usuários em bolhas ideológicas e alimentam uma cultura de hostilidade.

Quando esses cidadãos percebem o esgotamento, perdem a crença na capacidade de transformar o coletivo. É exatamente essa sensação de impotência que os afasta definitivamente das eleições e dos locais de votação.

O perfil dos desvinculados

Quase metade dos brasileiros avaliados (47%) foi classificada como desvinculada. Trata-se de pessoas que já abandonaram o voto ou que comparecem raramente. Três em cada dez cidadãos desistiram totalmente de participar devido à ausência de laços sociais.

Os jovens entre 18 e 34 anos representam 44% desse grupo. Jornadas de trabalho exaustivas reduzem drasticamente o tempo livre necessário para o lazer e para a manutenção de redes de apoio comunitário na juventude.

Caminhos para o Bem Viver

Para resgatar o interesse cívico, a recomendação central é implementar as chamadas políticas de Bem Viver. Tais medidas envolvem o estímulo ao contato com a natureza, o acesso à cultura e a criação de cidades mais acolhedoras.

Ações voltadas para combater a dependência digital também figuram como prioridade. Políticas públicas precisam regular o design viciante das plataformas para devolver o foco e o bem-estar à população.

A diretora ressalta que é preciso transformar a realidade cotidiana das pessoas para que elas voltem a acreditar no poder do voto. A Pesquisa Termômetro do Bem Viver utilizou indicadores de qualidade de vida raramente priorizados em análises econômicas tradicionais.

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil

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