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Depois do anúncio do apoio do deputado federal e pré-candidato ao Senado, Neri Geller (PP) e do senador Carlos Fávaro (PSD) a candidatura do ex-presidente Lula (PT), alguns Sindicatos Rurais de Mato Grosso decidiram lançar notas de repúdio contra a decisão.
Geller e Faváro são considerados representantes do agronegócio na Câmara e no Senado Federal, a expectativa era de que os dois apoiassem a candidatura de Jair Bolsonaro (PL), que é bem aceito no setor, principalmente entre os latifundiários menores.
Até o momento, 14 sindicatos se manifestam contra o apoio a Lula. Sindicatos de cidades como Campo Novo do Parecis, Brasnorte, Cotriguaçu, Diamantino, Matupá, Poconé, Primavera do Leste, Sinop, Tangará da Serra, Sorriso, Vera, Ipiranga do Norte, Nova Mutum e Nova Ubiratã emitiram nota de repúdio.
Entre os argumentos utilizados para justificar a resistência ao apoio está a proximidade do Partido dos Trabalhadores (PT) com o Movimento Sem Terra (MST), que costuma ser demonizado por grande parte da categoria.
Considerada um dos grandes celeiros do agro em Mato Grosso, o Sindicato Rural de Sapezal não seguiu o exemplo dos vizinhos e até o momento não se manifestou a cerca do assunto.
De acordo com fontes, o presidente do sindicato, Cleto Webler vem sendo pressionado por algumas figuras locais a seguir os demais sindicatos, porém, até o momento não houve manifestação.
De qualquer maneira, independente da adesão ou não do sindicato em Sapezal, a medida orquestrada não deverá surgir efeito efetivo, já que Geller já se manifestou a respeito rechaçando medidas autoritárias por parte de representantes do agro. "Sou um democrata, procuro ouvir e conversar com toda a sociedade e é dessa forma que vou tocar esse projeto, com convergência e diálogo." Afirmou o deputado federal em entrevista a uma emissora de TV da capital.
Outro fato que movimentou o noticiário local e que também pegou os revoltosos de surpresa, foi o áudio vazado do barão do agronegócio em Mato Grosso, Elusmar Maggi Scheffer. No áudio em questão, ele chama Bolsonaro de "Motoqueiro ruim de serviço" e ainda afirma que o atual presidente é "um mau exemplo para a nação".
Elusmar defende ainda, que nos governos petistas o setor ganhou muito, já que os incentivos para o agronegócio eram gigantescos.
De modo geral, aos poucos as candidaturas em Mato Grosso vão se definindo, muitas com surpresas como a aliança de Geller e Fávaro com Lula e o PT.
Outro apoio de peso que influência no agronegócio como um todo, é do ex-governador e ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que é apontado como o grande articulador dessa aliança.
Agora o que resta para a "resistência do agro" é apoiar o senador Welligton Fagundes (PL), que em 2018 teve apoio do PT em Mato Grosso para o Governo. Ou quem sabe, apoiar a candidatura do presidente licenciado da Aprosoja, Antônio Galvan (PTB) que não é nada competitiva e figura na parte de baixo da lista de pré-candidatos da mais recente pesquisa eleitoral. Ou terão de se contentar em apoiar Geller e ter que conviver com o rosto de Lula na parte de trás do santinho.
Publicado por:
Jean Borsatti
Jean Borsatti é jornalista, tem 31 anos e é diretor de redação do Spz Online. Trabalha na imprensa desde 2009 e desde 2020 comanda o Spz Online
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