Produtor de Comodoro teria sofrido prejuízo de R$ 57,7 milhões em esquema investigado pela Polícia Civil
Um produtor rural de Comodoro (MT) teria sofrido um prejuízo de aproximadamente R$ 57,7 milhões em negociações envolvendo grãos e uma aeronave, segundo investigação concluída pela Polícia Civil de Mato Grosso. O caso resultou no indiciamento de quatro pessoas por suspeita de participação no esquema.
Entre os indiciados está o ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Sérgio Pereira Assis, investigado por estelionato e associação criminosa. Também foram indiciados o filho dele, Mário Sérgio Cometki Assis, e os empresários Pedro Henrique Cardoso e Wanderley Soares Barboza Júnior. O inquérito foi concluído no dia 4 de agosto e encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso.
Negociações começaram com venda de soja
De acordo com a investigação, o produtor de Comodoro, de 56 anos, relatou ter sido procurado durante a colheita de soja de 2025 por um corretor que teria se apresentado como representante das empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agroindústria.
As primeiras operações teriam envolvido volumes menores de soja e foram pagas normalmente. Segundo o relato, esse histórico teria contribuído para aumentar a confiança entre as partes e ampliar posteriormente o volume das negociações.
Os pagamentos teriam ocorrido regularmente até novembro de 2025. A partir de dezembro, quando parcelas de maior valor começaram a vencer, os repasses teriam sido interrompidos.
Segundo a Polícia Civil, parte dos grãos adquiridos também teria sido revendida por preços inferiores aos valores de compra, sem que o dinheiro obtido fosse utilizado para quitar as obrigações assumidas com o produtor.
Produtor teria recorrido a empréstimos
Com o acúmulo das dívidas, o produtor rural de Comodoro declarou ter precisado buscar crédito para cumprir compromissos assumidos com fornecedores.
Segundo a investigação, ele contraiu um empréstimo de R$ 16 milhões em uma cooperativa, outros R$ 5 milhões junto a uma instituição bancária e ainda prorrogou um financiamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões.
O caso também envolve a venda de uma aeronave avaliada em cerca de R$ 5,8 milhões. Conforme o produtor, apenas aproximadamente R$ 2 milhões teriam sido pagos, permanecendo um saldo milionário em aberto. A aeronave foi posteriormente apreendida durante a investigação.
No relatório final, a Polícia Civil aponta que as operações envolvendo os grãos e o avião movimentaram aproximadamente R$ 81,6 milhões. Desse montante, cerca de R$ 23,9 milhões teriam sido efetivamente pagos, chegando ao prejuízo estimado de R$ 57,7 milhões.
Operação Agro-Fantasma
A investigação ganhou repercussão em março deste ano, quando foi deflagrada a Operação Agro-Fantasma. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Campo Grande (MS), Cuiabá e Alto Taquari (MT).
A Justiça também determinou o bloqueio de contas e a indisponibilidade de bens dos investigados. Entre os materiais apreendidos estava a aeronave negociada com o produtor de Comodoro.
Sérgio Pereira Assis também foi alvo de busca em Campo Grande e acabou preso em flagrante após policiais encontrarem munições em sua residência. Ele pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado.
Defesa nega participação
A defesa do ex-deputado já havia negado participação dele no suposto esquema. Segundo o advogado, Sérgio não fazia parte do quadro societário da Imaculada Agronegócios, não exercia função administrativa na companhia e também não possuía procuração para realizar negócios em nome da empresa.
Com a conclusão do inquérito, caberá agora ao Ministério Público de Mato Grosso decidir se oferece denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso.
O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial e não significa condenação nem transforma automaticamente os investigados em réus. Isso somente ocorre caso o Ministério Público apresente denúncia e ela seja aceita pela Justiça.

Spz Online
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