Moradores de cinco cidades de Mato Grosso vivem com menos de R$ 300 por mês, revela estudo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A pesquisa, baseada em dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e da Pnad Contínua, destaca a desigualdade de renda no país, acentuada pela emergência em saúde provocada pela pandemia.
Quatro dos cinco municípios com a maior renda média de Mato Grosso têm economia baseada no agronegócio: Primavera do Leste lidera o ranking (R$ 2.776), seguido por Sapezal (R$ 2.719), Sorriso (R$ 2.631), Cuiabá (R$ 2.428) e Lucas do Rio Verde (R$ 2.091).
Já as localidades mais vulneráveis possuem renda média que não ultrapassa R$ 300, são eles: Barão de Melgaço (R$ 201), Rondolândia (R$ 265), Cotriguaçu (R$ 271), Nossa Senhora do Livramento (R$ 277) e Colniza (R$ 278).
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, destaca que a redução da desigualdade social em Mato Grosso e no país depende da elaboração de políticas públicas que atendam a população mais vulnerável e criem uma agenda social que possibilite condições de garantir uma distribuição de renda mais justa e equilibrada.
Fraga ressalta que a AMM tem trabalhado para motivar os prefeitos a implementarem ações que viabilizem o fortalecimento da economia, contribuam para a geração de emprego e aumento da renda.
Entre os projetos da instituição, destacam-se os que buscam fomentar o desenvolvimento da agricultura familiar, que está presente em 100% dos municípios e é especialmente importante para os menores. A AMM coordena, simultaneamente, três iniciativas nesse setor: a implantação do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar e de Pequeno Porte (Susaf) nos municípios da Baixada Cuiabana, ação desenvolvida em parceria com a Assembleia Legislativa, que visa possibilitar que os pequenos produtores comercializem produtos semielaborados ou industrializados em qualquer município do estado; o Comitê Gestor criado para auxiliar os municípios na aquisição de produtos da agricultura familiar destinados à alimentação escolar; e o projeto Agrofamiliar, que visa fomentar a agricultura familiar em Chapada dos Guimarães, Planalto da Serra e Nova Brasilândia.
Fraga alerta que são necessárias políticas públicas arrojadas para possibilitar mudanças significativas nesse cenário social, ressaltando que a desigualdade é um problema que perdura há anos e que é necessário a colaboração dos governos e da sociedade para minimizar os impactos dessa disparidade nos mais desassistidos. “Precisamos unir esses polos e garantir condições dignas de vida a todos os cidadãos mato-grossense”, frisou.
A pesquisa da FGV concluiu que mesmo com a política de transferência de renda, como o Auxílio Emergencial, a disparidade não diminuiu durante a pandemia. A principal avaliação é que a desigualdade de renda no Brasil é ainda maior do que o imaginado, o que reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas e coordenadas em nível estadual para reduzir a desigualdade social em Mato Grosso.

Spz Online