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A Prefeitura de Sapezal firmou um contrato no valor de R$ 428.415,90 com a empresa AMG Publicidade e Comunicação Ltda, de propriedade do empresário Leomar José Mees. O nome de Mees veio à tona durante a campanha eleitoral de 2024 como o responsável por um dos perfis falsos que atacavam políticos locais entre os anos de 2018 e 2020. Ele era conhecido sob a alcunha de "Valdir Maggi", e seu envolvimento foi revelado em meio a embates políticos no município.
A licitação ocorreu no dia 6 de fevereiro de 2025 e prevê a aquisição de 5.910 minutos para divulgação das ações da Prefeitura de Sapezal em uma emissora de rádio, a um custo de R$ 69,00 por minuto. O valor do contrato representa um aumento de aproximadamente 25% em relação ao contrato anterior, firmado em 2023 pelo montante de R$ 340.829,70.
A rádio será o principal veículo de comunicação alinhado à gestão do prefeito Claudio Scariote (Republicanos). Isso ocorre após o fechamento da TV Sapezal, emissora que era considerada um “puxadinho” da assessoria de imprensa na gestão de Valcir Casagrande (União). A emissora televisiva encerrou suas atividades devido a irregularidades em sua concessão, reveladas por investigações anteriores.
Dono da empresa teve envolvimento com perfis falsos
O empresário Leomar José Mees teve seu nome envolvido em um processo judicial que revelou a identidade dos responsáveis por perfis falsos utilizados para difamar políticos locais entre 2018 e 2020. A investigação teve início em 2020, quando a coligação de Valcir Casagrande contratou advogados para descobrir os responsáveis pelos ataques virtuais. O processo (número 0600235-73.2020.6.11.0042) identificou que um dos perfis, conhecido como “Valdir Maggi”, operava a partir de endereços de IP vinculados às empresas de Mees.
A identidade de Mees foi divulgada em outubro de 2024, durante um embate político entre Casagrande e o advogado e candidato a prefeito Rafael Evangelista (PT). Em uma live, Evangelista afirmou que Casagrande pediu para que o nome do empresário não fosse revelado, pois se tratava de um amigo pessoal. Além disso, as mensagens difamatórias publicadas pelos perfis falsos beneficiavam politicamente Casagrande, que se posicionava como vítima dos ataques.
Os autos do processo são públicos, exceto pelo ofício da empresa provedora de internet que confirmou os dados de acesso aos perfis falsos.
Irregularidades na concessão da TV Sapezal
A decisão da Prefeitura de priorizar a rádio como principal canal de comunicação acontece após a polêmica envolvendo a TV Sapezal, que foi fechada por irregularidades na concessão. A emissora, administrada pela empresa JC Comunicação e Serviços, de propriedade de Josemar Silva Campos, conhecido como "Bidu", foi alvo de denúncias por inadimplência no pagamento de aluguel do prédio onde operava e pela ausência de regularização junto aos órgãos de comunicação.
Desde 2016, a emissora acumulava uma dívida superior a R$ 200 mil em aluguéis não pagos. O contrato de concessão com a TV Cidade Verde, de Cuiabá, foi contestado judicialmente, resultando no encerramento das atividades da emissora. Além disso, a JC Comunicação era beneficiada com contratos milionários com a Prefeitura de Sapezal, levantando suspeitas sobre favorecimento na administração pública. Além disso, a emissora também foi utilizada durante a campanha eleitoral para favorecer o então candidato Claudio Scariote que saiu vitorioso.
Ainda durante as eleições, a emissora de TV foi amplamente utilizada para difamar e atacar um empresário e candidato a vereador que supostamente estaria envolvido com a administração de perfis falsos em redes sociais. Na ocasião, a emissora destinou horas de sua programação para dar destaque as denúncias que envolviam o empresário.
Josemar Campos e a JC Comunicação são investigados em uma denúncia por abuso dos meios de comunicação, o processo se encontra paralisado desde novembro de 2024.
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