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A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) deflagrou, nesta quarta-feira (18), a Operação Nota Fria, com o objetivo de combater fraudes envolvendo empresas do setor agropecuário em Mato Grosso. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Sapezal, a 473 km de Cuiabá, e Rondonópolis, resultando na apreensão de notebooks, documentos e R$ 13 mil em dinheiro.
De acordo com o inquérito conduzido pelo delegado Mário Santiago, o principal suspeito, um homem de 42 anos identificado como R.A.S., exercia a função de líder dos setores de lubrificação e abastecimento em uma fazenda localizada em Sapezal. O suspeito tinha autonomia para gerenciar a manutenção de pneus dos veículos pertencentes à propriedade.
As investigações indicam que, em janeiro de 2022, o funcionário cadastrou uma prestadora de serviços de borracharia e recapagem de pneus junto à agropecuária. A empresa, situada em Rondonópolis, emitiu 250 notas fiscais que totalizaram R$ 3 milhões, embora não houvesse indícios de que os serviços correspondentes tivessem sido realizados. Uma auditoria interna da fazenda verificou que, durante o período investigado, não houve registros de entrada ou saída de pneus destinados à recapagem.
A empresa sob investigação foi registrada há quatro anos com um capital social de R$ 5 mil e tem como atividade principal a consultoria em gestão empresarial, sendo que os serviços de borracharia aparecem como atividade secundária em seu cadastro. As notas fiscais emitidas apresentavam valores incompatíveis com as necessidades da fazenda, que em 2023 realizou pagamentos no valor de R$ 1.226.674,22 por serviços não realizados. No ano seguinte, o montante aumentou para R$ 1.636.327,32.
Um comparativo com outra fazenda do mesmo grupo, que possui o dobro de veículos, apontou que os gastos em Sapezal foram quase dez vezes maiores do que os da outra propriedade. Durante as diligências, foram encontrados documentos que reforçam as suspeitas de fraude. Entre eles, uma proposta comercial da empresa investigada contendo 181 revisões, registrada no computador corporativo utilizado pelo funcionário. O arquivo apresentava alterações antes de ser convertido em PDF. Na conta de e-mail corporativa do suspeito não havia registros de orçamentos enviados pela prestadora, embora várias notas fiscais da empresa tenham sido encontradas.
Outro elemento identificado pela investigação foi a emissão sequencial das notas fiscais, o que sugere que a fazenda era o único cliente da prestadora, localizada a aproximadamente 750 km de distância. A operação contou com o apoio da Delegacia de Sapezal e da 1ª Delegacia de Rondonópolis. As autoridades continuam os trabalhos para identificar outros possíveis envolvidos no esquema e apurar o destino dos valores desviados.
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