Apesar do governador Mauro Mendes (União) ter afirmado que câmeras em fardas de policiais não foram uma experiência bem sucedida em outros locais, as estatísticas mostram o contrário. Apenas em São Paulo, onde o uso de câmeras nos uniformes dos policiais foi adotado em 2020, a redução das mortes praticadas por agentes da segurança despencaram.

Segundo um levantamento, em apenas um ano da medida, as mortes praticadas por policiais caíram 61 por cento em apenas dois anos de adoção da medida. 

Para se ter uma ideia, em 2020 foram registradas 659 mortes, em 2021 a queda foi para 423 casos e em 2022 foram registradas 256 mortes, este foi o menor número das últimas 2 décadas.

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Em São Paulo, as câmeras gravam imagens das atividades dos policiais em tempo real e transmitem os dados de forma automática para uma central de controle.

Em entrevista para a imprensa durante o lançamento da Operação Amazônia na manhã da última terça-feira (07), Mendes afirmou que deveriam ser instaladas câmeras nos criminosos e que irá dialogar com a Polícia Militar (PM) antes de aderir a medida. 

"Primeiro nós vamos conversar com a Polícia Militar (PM), porque essa experiência foi feita em alguns lugares e tem opiniões controversas, mas a maioria delas é de que não é uma experiência bem sucedida. Seria bom colocar isso nos bandidos, para eles tratarem melhor as pessoas."

O Projeto de Lei que prevê a instalação de câmeras nos uniformes dos policiais mato-grossenses é de autoria do deputado estadual Wilson Santos (PSD). O projeto que estava arquivado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) voltou a ser debatido após recentes casos de violência policial em Mato Grosso.

A proposta apresentada prevê a instalação gradativa do equipamento no prazo máximo de 1 ano após a publicação da lei. 

Wilson Santos argumenta que gravar as ações dos policiais além de resguardar o cidadão de excessos praticados por agentes, também resguarda os policiais contra falsas acusações que também são comuns.

Na segunda-feira (13), está prevista a ida de uma comitiva liderada por Wilson Santos até São Paulo. A ideia é conhecer de perto a realidade e o funcionamento naquele estado.

Apesar do projeto estar sendo novamente debatido, tudo indica que ele irá sofrer resistência por parte da maioria dos parlamentares que costumam adotar discurso mais conservador e com isso acabe não sendo aprovado.