A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (20) mais uma etapa da Operação Sisamnes, que investiga um esquema de venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT). Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados, incluindo um vinculado à assessora do desembargador João Ferreira Filho.

Embora o magistrado não tenha sido alvo direto nesta fase da operação, ele já foi investigado anteriormente, quando mandados de busca foram cumpridos em sua residência.

As investigações apontam para a realização de transações imobiliárias suspeitas por parte dos investigados, com o objetivo de dissimular a origem ilícita de recursos utilizados na aquisição de imóveis residenciais e veículos.

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Por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), diversas medidas foram determinadas, incluindo o afastamento de servidores do Poder Judiciário, proibição de contato entre investigados, recolhimento de passaportes, bloqueio de R$ 1,8 milhão e o sequestro de bens.

A operação Sisamnes teve início em agosto, quando os desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes Filho foram afastados de suas funções no TJMT por suspeita de envolvimento em vendas de decisões judiciais. Em novembro, a primeira fase da operação resultou na prisão do lobista Andreson Gonçalves, apontado como intermediário no esquema, e na apreensão de bens e documentos dos magistrados investigados.

De acordo com a Polícia Federal, os crimes em apuração incluem organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e vazamento de informações sigilosas.

As investigações também revelaram uma ligação com o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá. Zampieri, que era próximo dos desembargadores investigados, teria intermediado negociações financeiras ilegais para beneficiar clientes em processos judiciais.

O assassinato do advogado ocorreu em frente ao seu escritório, quando ele foi alvejado por 10 disparos. O crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo fazendas avaliadas em R$ 100 milhões, em Paranatinga, e pela desconfiança de um suposto envolvimento de Zampieri com um dos magistrados do caso.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou estar acompanhando o andamento das investigações e reafirmou sua disposição em colaborar com os órgãos competentes.

A Operação Sisamnes segue em curso, trazendo à tona um dos maiores escândalos judiciais da história recente de Mato Grosso.