Cuiabá (MT) — A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (26), mandados de busca e apreensão contra os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, afastados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A ação faz parte da Operação Sisamnes, que apura um esquema de venda de sentenças judiciais. Além disso, o lobista Andreson Gonçalves foi preso, acusado de atuar como intermediário nas negociações.

De acordo com a PF, os dois magistrados serão monitorados por tornozeleiras eletrônicas como parte das medidas cautelares. Os agentes também realizaram buscas no escritório do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, apontado como figura central no esquema investigado.

Investigações e alvos

A operação, que envolveu mandados em Mato Grosso, Pernambuco e no Distrito Federal, apura crimes como organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, um de prisão preventiva e medidas como o sequestro e indisponibilidade de bens e valores.

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Entre os alvos das buscas, além dos desembargadores e do lobista, estão advogados, empresários e familiares. Entre eles:

  • Valdoir Slapak – Consultor de negócios;
  • Flaviano Kleber Taques Figueiredo – Advogado;
  • Mirian Ribeiro Gonçalves – Advogada e esposa de Andreson;
  • Haroldo Augusto Filho – Empresário;
  • Mauro Thadeu Prado de Moraes – Filho de Sebastião de Moraes;
  • Rodrigo Vechiatto da Silveira – Empresário;
  • Rafael Macedo Martins – Advogado.

Segundo a PF, os desembargadores mantinham relações próximas com o advogado Roberto Zampieri e recebiam vantagens financeiras para manipular decisões judiciais em favor dos "clientes" do esquema.

Esquema de corrupção

As investigações tiveram início com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que identificou irregularidades nas relações dos magistrados com Zampieri. Os benefícios financeiros incluíam valores pagos para direcionar decisões favoráveis em processos judiciais. Além disso, o grupo também é suspeito de negociar vazamentos de informações sigilosas, incluindo detalhes de operações policiais.

Nota oficial e repercussão

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso afirmou, em nota, que está ciente das investigações e se colocou à disposição para colaborar. Já a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou que acompanha o caso.

A operação, batizada de Sisamnes, faz referência a um juiz da Antiguidade conhecido por sua corrupção, que, segundo a história, foi punido de maneira exemplar. O caso destaca as implicações éticas e legais para o Judiciário mato-grossense e traz à tona a necessidade de reforço nos mecanismos de controle e fiscalização no sistema de justiça.

FONTE/CRÉDITOS: Com informações G1