O município de Sapezal, a 473 km de Cuiabá, tem sido um dos mais afetados por falhas no fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso. Moradores relatam quedas frequentes, oscilações de tensão, queima de equipamentos e prejuízos tanto no setor público quanto privado. Os transtornos também têm sido registrados em Alta Floresta e Confresa, cidades que, junto com Sapezal, serão alvo de uma série de audiências públicas promovidas pela Assembleia Legislativa do estado.

Em Sapezal, os problemas atingem bairros inteiros, especialmente nas áreas mais afastadas do centro. De acordo com o vereador Ailton Monteiro (PP), uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Alvorada permanece sem atendimento pleno porque o acionamento de aparelhos de ar-condicionado causa queda de energia em toda a região. Ele afirmou que indústrias locais operam com apenas 30% da capacidade por falta de estabilidade no fornecimento e que empresas deixam de investir no município devido à falta de garantia energética.

A defensora pública Camila Maia chamou atenção para riscos à saúde de pacientes em atendimento domiciliar que dependem de equipamentos ligados 24 horas por dia. Segundo ela, as falhas na rede colocam essas pessoas em risco constante, além de causarem prejuízos com a queima de eletrodomésticos.

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Moradores também expressaram insatisfação com a qualidade do serviço. Manoel Alves, residente do setor Chácara Dedé, relatou que as quedas de energia são frequentes sempre que há alterações no tempo. “A energia some e volta toda hora. Já perdi vários aparelhos e ninguém resolve”, disse.

Diante das inúmeras reclamações, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou na no dia 06 de junho, em Sapezal, a primeira audiência pública da Câmara Setorial Temática (CST) da Concessão de Serviço Público de Energia Elétrica, para discutir os problemas e propor soluções. As próximas reuniões estão previstas para Alta Floresta, em 23 de junho, e Confresa, em 22 de julho.

O presidente da CST, deputado estadual Faissal Kalil, afirmou que Sapezal foi escolhida para iniciar os debates por ser uma das cidades com maior volume de denúncias. Ele destacou que o contrato de concessão da Energisa, firmado em 1997, está em fase de avaliação. “Se for para renovar, que seja com mais investimentos. Caso contrário, vamos discutir alternativas viáveis para Mato Grosso”, afirmou.

Representando a concessionária Energisa, o coordenador de operações Robson Kleber Lima reconheceu as dificuldades enfrentadas e disse que a empresa está investindo R$ 1,6 bilhão no estado em 2024. Segundo ele, parte dos atrasos em melhorias está relacionada a entraves no licenciamento ambiental. Lima também anunciou a construção de novas subestações, entre elas a da cidade vizinha Campos de Júlio, que deverá aliviar a sobrecarga em Sapezal.

O trabalho da CST pretende reunir informações técnicas, relatos da população e dados institucionais para subsidiar políticas públicas e decisões sobre a renovação ou revisão da concessão de energia no estado.