Da Redação
O vice-prefeito de Sapezal, Claudio José Scariote (Podemos) decidiu entrar para a vida pública em 2020 como candidato a vice de Valcir Casagrande (PL), a dupla conseguiu uma votação expressiva e garantiram o segundo mandato de Casagrande a frente do Executivo.
Apesar de anteriormente nunca ter sido candidato a uma vaga eletiva, Scariote sempre esteve presente na discussão política local, inclusive por algumas vezes, foi sondado para compor com grupos políticos. Seu irmão, Lozoir Scariote já foi vereador entre os anos de 1997 a 2000, naquela que foi a primeira eleição em Sapezal.
Com uma posição bastante independente, foi apoiador da candidatura de Guarino Fernandes em 2004, quando o então candidato foi derrotado pelo ex-prefeito Cesar Maggi. Nas eleições seguintes, se manteve neutro.
Como vice-prefeito, Scariote tem o objetivo de não ser mais um decorativo no cargo como ocorreu nos últimos dois mandatos. Em 2012, o médico Benjamim Dequi foi eleito em uma eleição histórica juntamente com Ilma Grisoste, porém não demorou para ocorrer uma ruptura, fazendo com que Dequi desaparecesse nos quatro anos seguintes.
O mesmo ocorreu nas eleições de 2016, quando César Maggi concorreu a vice na chapa encabeçada por Casagrande, naquela ocasião, a estratégia de colocar Maggi como vice foi fundamental para a vitória de Casagrande que obteve também uma quantidade expressiva de votos.
Decorativo?
Se passaram 10 meses da posse da nova chapa, e apesar das tentativas de não ficar no anonimato, Scariote ainda sofre com a "maldição dos vices" que são sufocados pelo titular. Se o objetivo de Scariote é suceder Casagrande no cargo de prefeito, será necessário muito mais do que está fazendo para que consiga se projetar para as próximas eleições.
Mas o que vemos ao logo destes 10 meses, é que apesar de estar um tanto quanto apagado, Scariote vem desempenhando seu papel, participando sempre que possível das tomadas de decisões o que o retira a pecha de "vice decorativo", pelo menos até o momento.
Além disso, Scariote possui um grande potencial para suceder Casagrande, principalmente por se tratar de um pioneiro respeitado e de honestidade inquestionável. Tem tudo para ser um ótimo vice-prefeito, seu perfil respeitoso e amigável contrasta com a rispidez de Casagrande, que vez ou outra é traído pelas próprias palavras.
Contudo, seu futuro na política depende de Casagrande, que precisa fazer um segundo mandato ainda melhor que o primeiro e assim deixar o seu legado, possibilitando a eleição de seu sucessor. Porém, não deve usar seu antigo vice como exemplo, já que lá em 2012 deixou seu candidato a sucessor em maus lençóis.
Como está o jogo
Em apenas uma única ocasião, Sapezal teve mais que dois candidatos em um pleito, isso foi em 2016 quando Valcir Casagrande foi o primeiro colocado contra o ex-prefeito Aldir Schneyder, o atual vereador Franço Helber e a ex-prefeita Ilma Grisoste que apesar de ter ido a reeleição acabou ficando com a última colocação.
Em 2008 o cenário foi bem diferente, Cesar Maggi foi candidato único, e mesmo competindo contra ele mesmo, obteve uma rejeição significativa por parte da população. Essa rejeição se ampliou em 2012 quando seu vice, Jean Gali, após ter sido promovido para prefeito no último ano de gestão, foi derrotado por Ilma Grisoste.
Em 2020 a situação que ocorreu em 2008 quase se repetiu, apenas não ocorreu porque o ex-vereador Manoel Nascimento teve a coragem de se colocar a disposição para o cargo. É claro que as chances de uma vitória de Manezinho eram mínimas, mas mesmo assim impediu a população de ter que escolher entre Casagrande e o nulo.
Uma série de erros resultou em uma humilhante derrota, já que Casagrande e Scariote obtiveram quase 80 por cento dos votos válidos. Além disso, a vice escolhida para a chapa, Carol Guedin, não convenceu o eleitorado e não conseguiu evitar a derrota.
Além do atual vice-prefeito, outros nomes podem se destacar nesses próximos 3 anos, entre eles está a presidente da Câmara Municipal, Zildinei Panta (PL) que vem desempenhando um papel importante a frente do Legislativo, além disso, foi a vereadora mais votada nas últimas eleições e logo de cara conseguiu conquistar a chefia da Casa de Leis onde se destaca com sua atuação.
Outro nome de força é o vereador Franço Helber que já concorreu ao cargo, porém seus problemas de saúde podem dificultar a candidatura em 2024, além disso, deve compor em um grupo mais bem definido caso queira de fato pleitear o cargo no qual já declarou ter um grande sonho de ocupar.
Cleto Webler é outro nome que sempre é sondado para concorrer ao cargo. O empresário do ramo de transportes é conhecido pelo seu perfil duro, mas possui amplo apoio entre políticos. Se por um lado costuma não ter papas na língua, o que acaba lhe prejudicando, por outro lado pode surpreender, já que na presidência do Sindicato Rural tem desempenhado seu papel de maneira atuante, participando inclusive de conversas para a vinda da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) para Sapezal.
Já no campo popular, o advogado Rafael Evangelista se mostrou interessado em concorrer ao cargo. Evangelista se destacou pela sua atuação no processo dos perfis falsos durante a Eleição de 2020 quando foi contratado por Casagrande. É um nome que pode surgir, ainda mais se levarmos em conta um possível fortalecimento do Partido dos Trabalhadores (PT) nas próximas eleições nacionais que deve refletir nos municípios.
Por fim, podemos também citar o empresário Diogo Romani, que também não descarta a possibilidade. Com um perfil muito mais moderado entre os empresários, pode ser a cara jovem que falta nas eleições. Atualmente no Partido Democrático Trabalhista (PDT), chegou a ser lançado como pré-candidato em 2016.
É claro que ainda é muito cedo para definir candidatos para 2024, mas se o objetivo é não haver dificuldades para se obter um nome competitivo para as eleições, é fundamental que os grupos e partidos interessados comecem a pensar nisso desde já, impulsionando o projeto a partir das Eleições de 2022 que tem potencial para ditar os direcionamentos.
É importante ressaltar que campanha antecipada é crime e não é disso que estamos falando, mas sim em ações que possam projetar novas lideranças e dessa forma potencializar as chances do surgimento de um nome que seja competitivo.
Um ponto interessante para ser levado em consideração, é a construção de um projeto que seja amplamente discutido, e que demonstre ser aplicável, diferente daquilo que é apresentado por candidatos às vésperas do prazo de registro de candidaturas.
Infelizmente é comum que grupos e partidos criem seu Plano de Governo de última hora, resultando em folhetins mal feitos e redigidos as pressas unicamente para cumprir a legislação eleitoral que exige o registro do documento.

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