O governo federal assinou uma medida provisória para proibir as plataformas de jogos no Brasil, trazendo alívio para quem enfrenta o vício em apostas. A decisão visa conter o severo endividamento das famílias e os crescentes impactos na saúde mental da população provocados pela falta de regulamentação dessas empresas nos últimos anos.
Um dos impactados é Kaio, de 42 anos, que perdeu emprego, carro e casa em Goiás devido às dívidas com jogos e agiotas. Para tentar reconstruir sua vida, ele procurou atendimento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e hoje faz acompanhamento médico e psicológico contínuo.
Origem e ausência de regras
Embora tenham sido aprovadas em 2018, no final da gestão de Michel Temer, as plataformas operaram sem diretrizes claras até a regulamentação em dezembro de 2023. Essa ausência prolongada de fiscalização permitiu que mecanismos de alerta e proteção aos usuários fossem amplamente ignorados no país.
Impactos financeiros e perfil das vítimas
A psiquiatra Katia Branco, do Hospital das Clínicas de SP, alerta que a publicidade agressiva induzia a população vulnerável a acreditar que os jogos serviam como fonte de renda. Dados do Comsefaz revelam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as empresas de apostas em apenas um ano.
Além de adultos, os adolescentes foram gravemente atingidos. Segundo estudo da Equidade.info, 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e médio já apostaram. A psicóloga Mariana Kehl destaca que o cérebro jovem ainda não possui o controle de impulsos totalmente desenvolvido, facilitando o vício precoce.
Danos mentais e suporte do SUS
Especialistas reforçam que a dependência gera isolamento, depressão e sério risco de ideação suicida. Em resposta ao avanço dos casos, o Ministério da Saúde expandiu o teleatendimento pelo SUS e implementará busca ativa de apostadores contumazes para oferecer apoio terapêutico e médico necessário.

Spz Online
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