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Quinta-feira, 06 de Agosto 2026
Eleições 2026

Única mulher na corrida ao Governo, Natasha desafia a força do bolsonarismo em Mato Grosso

Candidata do PSD precisará ultrapassar os limites do eleitorado progressista e conquistar votos em um estado que deu mais de 65% dos votos a Jair Bolsonaro na última eleição presidencial

Jean Borsatti
Por Jean Borsatti
Única mulher na corrida ao Governo, Natasha desafia a força do bolsonarismo em Mato Grosso
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A médica Natasha Slhessarenko (PSD) inicia oficialmente sua primeira disputa por um cargo eletivo com uma característica que a diferencia dos demais concorrentes: ela é a única mulher entre os nomes colocados na corrida pelo Governo de Mato Grosso. Homologada pelo PSD e apoiada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, a candidata terá o advogado Diogo Botelho (PDT) como vice. 

A condição de única representante feminina pode ampliar a visibilidade de Natasha durante a campanha, mas está longe de garantir vantagem eleitoral. Para se tornar competitiva, a candidata terá que superar o baixo conhecimento de seu nome entre parte expressiva do eleitorado e enfrentar uma barreira ainda maior: a força do bolsonarismo em Mato Grosso.

Na eleição presidencial de 2022, Jair Bolsonaro recebeu 65,08% dos votos válidos no estado, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 34,92%. O resultado colocou Mato Grosso entre os estados mais favoráveis ao então candidato do PL e demonstrou a forte identificação de uma parcela significativa do eleitorado mato-grossense com as pautas conservadoras e com o discurso da direita. 

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Os números de 2022 não determinam automaticamente o resultado de 2026, mas indicam o terreno político que Natasha encontrará durante a campanha. Para avançar, a candidata precisará consolidar os votos do campo progressista e, ao mesmo tempo, dialogar com eleitores de centro e com setores que tradicionalmente rejeitam candidaturas associadas ao Partido dos Trabalhadores.

Direita dividida pode abrir espaço

O bolsonarismo deverá estar representado principalmente no palanque do senador Wellington Fagundes (PL), que vinculou sua candidatura estadual ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. A estratégia do parlamentar será aproveitar a força eleitoral da família Bolsonaro e transformar a disputa pelo Governo de Mato Grosso em uma extensão da eleição presidencial.

Entretanto, Wellington não estará sozinho na disputa pelo eleitorado da direita. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, conta com a estrutura administrativa do Governo do Estado e com o apoio do ex-governador Mauro Mendes e da Federação União Progressista. A aliança também colocou o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador. 

Na prática, Natasha enfrentará dois projetos eleitoralmente fortes no campo conservador. Wellington buscará representar o bolsonarismo de maneira mais direta, enquanto Pivetta deverá defender a continuidade do grupo político que governa Mato Grosso desde 2019. A divisão entre os dois concorrentes pode beneficiar a candidata do PSD, desde que ela consiga organizar o eleitorado de oposição e impedir que a disputa fique concentrada apenas entre os dois representantes da direita.

Apoio de Lula pode ajudar e limitar

Natasha terá como principais apoiadores o presidente Lula e o senador Carlos Fávaro, candidato à reeleição. A aliança também inclui partidos de esquerda e centro-esquerda e terá o ex-governador Pedro Taques como um dos candidatos ao Senado. 

O apoio presidencial deverá garantir palanque, militância e maior exposição para uma candidata que ainda é pouco conhecida fora dos grandes centros. Ao mesmo tempo, a associação com Lula pode aumentar a resistência entre os eleitores mais conservadores, especialmente no interior e nas regiões ligadas ao agronegócio.

Esse será um dos principais desafios da campanha: aproveitar a popularidade e a estrutura política do presidente sem permitir que sua candidatura seja interpretada apenas como uma representação estadual do petismo. Embora tenha o apoio do PT, Natasha é filiada ao PSD e deverá buscar uma identidade própria para ampliar sua capacidade de diálogo.

A presença de Carlos Fávaro na chapa majoritária poderá contribuir nesse movimento. Ex-ministro da Agricultura e liderança ligada ao setor produtivo, o senador pode atuar como uma ponte entre a candidatura de Natasha e segmentos econômicos que mantêm resistência ao campo progressista.

Representatividade não garante votos

Ser a única mulher na disputa oferece a Natasha um diferencial político e simbólico. A candidata poderá explorar temas como participação feminina, saúde, educação, desigualdade social e combate à violência contra as mulheres. Entretanto, a representatividade, isoladamente, não será suficiente para levá-la ao segundo turno.

Natasha precisará transformar sua trajetória profissional como médica e professora em uma imagem de capacidade administrativa. Também terá que percorrer o interior, aproximar-se das lideranças municipais e apresentar propostas relacionadas às principais demandas do estado, como infraestrutura, saúde pública, segurança, educação e desenvolvimento econômico.

A candidata iniciou sua movimentação política com o projeto “O Mato Grosso que Queremos”, voltado à realização de encontros e à escuta de moradores de diferentes regiões. A estratégia busca construir um programa de governo participativo e, ao mesmo tempo, aumentar o conhecimento de seu nome entre o eleitorado.

O desafio do segundo turno

Para chegar ao segundo turno, Natasha terá que cumprir diferentes etapas. Primeiro, deverá unificar o eleitorado progressista e evitar a dispersão dos votos de oposição. Depois, precisará reduzir a rejeição provocada pela associação com Lula e conquistar eleitores que não se identificam completamente com Wellington Fagundes nem com Otaviano Pivetta.

A divisão da direita pode criar uma oportunidade, mas também apresenta um risco. Caso Wellington e Pivetta concentrem a maior parte dos votos e transformem a eleição em uma disputa interna do campo conservador, Natasha poderá permanecer distante dos dois primeiros colocados.

A campanha de 2026 mostrará se a candidata conseguirá transformar o apoio de Lula, a estrutura do PSD e sua condição de única mulher na disputa em uma alternativa eleitoral competitiva. Para isso, terá que fazer mais do que mobilizar a esquerda: precisará avançar sobre um eleitorado majoritariamente conservador e vencer a força política do bolsonarismo em Mato Grosso.

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Jean Borsatti

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Jean Borsatti

Jean Borsatti é jornalista, tem 34 anos e é diretor de redação do Spz Online. Trabalha na imprensa desde 2009 e desde 2020 comanda o Spz Online

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