Na última segunda-feira (7), movimentos sociais de todo o Brasil realizaram a 32ª edição do Grito dos Excluídos em mais de 50 cidades. As manifestações nacionais pautaram a defesa da moradia digna, da paz, da soberania nacional e da reforma agrária, reunindo milhares de pessoas em todas as regiões do país para cobrar avanços sociais e o combate às desigualdades históricas.
Sob o lema "Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!", os manifestantes também protestaram contra a violência de gênero, o racismo e a LGBTfobia. Outras pautas de destaque incluíram a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso à educação pública de qualidade e o fim da escala de trabalho 6x1.
Mobilização na capital paulista
Em São Paulo, o ato percorreu as vias do centro e terminou com uma celebração na Catedral da Sé voltada à população de rua. Ativistas como Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, enfatizaram que a verdadeira liberdade social só existirá quando a questão da moradia for solucionada e não houver mais pessoas desabrigadas no país.
O protesto paulistano também contou com o clamor por justiça de Deuza Cordeiro de Lima, que denunciou a violência policial após o assassinato de seu filho. Paralelamente, Frei David Santos, da Educafro, destacou a importância de proteger a democracia contra a influência do poder econômico no processo eleitoral.
Intervenções culturais e protestos no Rio
No Rio de Janeiro, a marcha ocupou a Avenida Presidente Vargas logo após o desfile oficial do Dia da Independência. A Escola de Teatro Popular, coordenada pelo dramaturgo Julian Boal, utilizou esquetes teatrais baseadas na metodologia do Teatro do Oprimido para debater a soberania e a participação democrática além do voto.
A luta por habitação foi central na capital fluminense. Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, criticou a especulação imobiliária e o leilão de prédios públicos que deveriam cumprir função social. Os manifestantes também protestaram contra tarifas externas e pediram o fim da escala 6x1.
Pauta ecológica em Brasília
Em Brasília, o foco das manifestações se voltou para a crise climática e a justiça socioambiental. O Núcleo de Ecologia Integral de Brasília apresentou uma carta de compromissos ecológicos direcionada a candidatos das eleições municipais, cobrando a proteção de recursos hídricos vitais, como a Estação Ecológica de Águas Emendadas.
A professora universitária Altaci Kokama ressaltou que o evento dá voz aos marginalizados, mas apontou as dificuldades de mobilização por falta de recursos para transporte e alimentação. Ela reforçou a importância de manter debates constantes nas comunidades periféricas para fortalecer a resistência popular.

Spz Online
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