Um produtor rural de Comodoro (MT) registrou boletim de ocorrência contra um ex-deputado estadual e dois sócios, acusando-os de calote que pode atingir R$ 50 milhões em negociações de compra e venda de grãos e outros compromissos financeiros firmados entre as partes. A notícia-crime motivou abertura de investigação pela Polícia Civil de Mato Grosso por possível crime de estelionato. 

O caso, registrado na última terça-feira (24), foi formalizado pelo advogado Rodrigo Pouso em nome do produtor Silvano dos Santos, proprietário da empresa Nova Era Participações Ltda, de 56 anos. Segundo o relato, as tratativas começaram durante a colheita de soja de 2025, quando um corretor apresentou os representantes do Grupo Imaculada, composto pelas empresas Imaculada Agronegócios Ltda e Santa Felicidade Agro Indústria Ltda, vinculadas a Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio Cometki Assis e Sergio Pereira Assis, que é apontado como ex-deputado estadual pelo Mato Grosso do Sul. 

Alegações de prejuízo

Segundo o boletim, as primeiras operações foram quitadas regularmente, o que teria consolidado a confiança do produtor no grupo. Em seguida, os empresários teriam proposto que o produtor comprasse grãos de terceiros em seu nome, com promessa de pagamento futuro integral pelas empresas envolvidas. 

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A partir dessas garantias, Silvano firmou compromissos que somaram mais de R$ 50 milhões. Conforme o registro policial, até novembro de 2025 os pagamentos ocorreram normalmente, mas, a partir de dezembro, parcelas de maior valor passaram a vencer sem quitação, deixando o produtor responsável pelas dívidas junto a diversos fornecedores e instituições financeiras. 

O boletim também relata que o produtor vendeu uma aeronave ao grupo pelo valor de R$ 5.817.660,00, tendo recebido pouco mais de R$ 2,07 milhões, permanecendo saldo em aberto desde janeiro de 2026. Para honrar compromissos, ele teria contraído empréstimos de cerca de R$ 16 milhões no Sicoob e outros R$ 5 milhões no Sicredi, além de prorrogar um financiamento de R$ 2,5 milhões, conforme descrito na notícia-crime. 

Investigação e posicionamentos

A Polícia Civil confirmou o registro do boletim de ocorrência e que a apuração está em andamento, com o caso tratado inicialmente como estelionato. A corporação afirmou que as informações preliminares apontam para o não pagamento de valores por parte dos investigados, resultando em prejuízo em nome do produtor, e que mais detalhes não serão divulgados para não prejudicar o andamento das investigações. 

Em nota ao site que divulgou a notícia, o Grupo Imaculada negou as acusações e afirmou que a divulgação da notícia-crime foi recebida “com surpresa”. O conglomerado disse que passou a sofrer “ataques públicos, pressões indevidas e tentativas de intimidação”, e que também registrou ocorrências envolvendo supostos indícios de extorsão. O grupo declarou estar “tranquilo quanto à apuração técnica e imparcial dos fatos” e confiante de que “a verdade será estabelecida com base em provas e documentos”. 

Até o momento, não há confirmação de medidas cautelares ou prisões relacionadas à investigação, nem manifestações judiciais sobre o andamento do caso.