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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, deliberou nesta terça-feira (31) pelas convocações dos ex-governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do pedido de convocação de Ibaneis, ressaltou que o depoimento do ex-chefe do executivo distrital é crucial para a CPI elucidar as conexões comerciais entre o escritório de advocacia de Ibaneis e organizações sob investigação da Polícia Federal (PF), além de compreender os critérios que pautaram as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Vieira enfatizou que, conforme informações preliminares, o escritório fundado por Ibaneis Rocha firmou contratos de valores expressivos com entidades vinculadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, ambos alvos de apurações federais, e também recebeu repasses financeiros considerados atípicos do Grupo J&F.
O parlamentar ainda apontou que, durante sua gestão no governo do Distrito Federal, Ibaneis teria intervindo diretamente para que o banco público local concretizasse a aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, instituição que anteriormente já havia negociado com o BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos controversos.
No que tange a Cláudio Castro, Vieira argumenta que a oitiva do ex-governador fluminense fornecerá à CPI uma “visão macroestratégica inestimável”, possibilitando a investigação de lacunas e entraves institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a extensão da infiltração criminosa no aparelho estatal.
Segundo Vieira, o estado do Rio de Janeiro se consolidou, há algum tempo, como um “laboratório para as mais complexas dinâmicas do crime organizado no país”.
“Nos anos recentes, contudo, observou-se uma transformação preocupante nesse cenário: a distinção antes clara entre facções associadas ao narcotráfico e grupos milicianos compostos por agentes e ex-agentes de segurança pública cedeu espaço a uma simbiose criminosa, frequentemente referida como narcomilícia”, explicou.
“É neste ponto crucial que a convocação do senhor Cláudio Castro, em sua capacidade de ex-governador do estado, se mostra não apenas pertinente, mas absolutamente essencial para o progresso das atividades desta Comissão”, defendeu Vieira, que atua como relator da CPI do Crime Organizado.
Ausências
Os membros da CPI optaram por convocar Castro e Ibaneis em virtude da não adesão dos ex-governadores aos convites anteriores da comissão. Pela mesma razão, o colegiado aprovou uma nova convocação para ouvir Roberto Campos Neto, que esteve à frente do Banco Central de 2019 a janeiro de 2025.
A solicitação de reconvocação foi igualmente apresentada por Vieira, após Campos Neto comunicar sua impossibilidade de comparecer à sessão da CPI agendada para esta terça-feira.
“Esta convocação [de Campos Neto] não lhe atribui, a priori, qualquer responsabilidade pelos fatos que são objeto desta investigação”, sublinhou Vieira ao requerer que o ex-presidente do Banco Central seja ouvido na condição de testemunha qualificada.
O relator da CPI afirmou que “os procedimentos, os instrumentos e as práticas institucionais adotadas pelo Banco Central podem oferecer uma contribuição significativa aos trabalhos da comissão”.
Além de outras intimações, como a do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil, Renato Dias de Brito Gomes, os senadores deram sinal verde a pedidos de quebra de sigilo de indivíduos e empresas já analisados previamente, em conformidade com as novas exigências do Supremo Tribunal Federal (STF).
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