O ex-deputado estadual Wagner Ramos (MDB) anunciou que não disputará uma cadeira no Legislativo nas eleições de 2026. Em vídeo divulgado neste sábado (8), o político afirmou que decidiu abrir mão da candidatura por entender que a presença de mais nomes de uma mesma região na disputa poderia provocar uma divisão de votos e, consequentemente, reduzir as chances de eleição de um representante local.
A decisão ocorre poucos dias depois de uma mudança significativa na estratégia eleitoral do MDB de Mato Grosso. Wagner Ramos integrava a nominata inicialmente preparada pelo partido para disputar vagas na Câmara dos Deputados. Na convenção realizada na terça-feira (4), seu nome aparecia entre os oito escolhidos para a disputa federal.
No dia seguinte, entretanto, a direção estadual do MDB decidiu suspender a chapa de candidatos a deputado federal. A avaliação interna divulgada por veículos da imprensa estadual foi de que a nominata teria dificuldades para alcançar desempenho suficiente para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Com a mudança, o partido passou a concentrar esforços na candidatura de Janaina Riva ao Senado e na formação da chapa para deputado estadual.
Wagner Ramos estava entre os nomes atingidos diretamente pela decisão. Além dele, faziam parte do projeto para a Câmara Federal nomes como Kalil Baracat, Rosana Martinelli, Jannira Laranjeira, Vânia Viana, Edleusa Mesquita e Leandro Damiani.
Após a retirada da chapa federal, surgiu a possibilidade de parte desses candidatos ser incorporada à disputa pela Assembleia Legislativa. No caso de Wagner, porém, ele decidiu não levar adiante uma nova candidatura.
Segundo o ex-deputado, sua preocupação é evitar uma pulverização do eleitorado de Tangará da Serra e da região. O argumento apresentado por Ramos é de que lançar diferentes candidaturas com bases eleitorais semelhantes pode fazer com que os votos sejam distribuídos entre vários nomes sem que nenhum deles alcance votação suficiente para conquistar uma cadeira.
A justificativa segue uma posição que Wagner já vinha defendendo antes mesmo das convenções. Durante a pré-campanha, o ex-parlamentar sustentava que Tangará da Serra e municípios próximos deveriam buscar uma estratégia eleitoral que aumentasse as possibilidades de representação política da região.
Em junho, Wagner Ramos e o deputado estadual Dr. João, também do MDB e com base política em Tangará da Serra, chegaram a ser apresentados como nomes que poderiam atuar de maneira complementar nas eleições, com projetos para diferentes cargos.
Com o fim da candidatura de Wagner, o cenário político regional passa por uma nova reorganização. A retirada reduz o número de lideranças locais na disputa e poderá provocar uma redistribuição dos apoios que estavam sendo articulados pelo ex-deputado.
A decisão também encerra, ao menos nesta eleição, o projeto de Wagner Ramos de retornar a um cargo eletivo. Ex-deputado estadual por Mato Grosso, ele vinha trabalhando inicialmente uma candidatura à Câmara Federal e havia ingressado no MDB neste ano justamente durante as articulações para as eleições de outubro. Em julho, seu nome ainda integrava oficialmente as reuniões promovidas pelo partido para estruturar a nominata federal.
Agora, fora da disputa, a definição sobre quais candidatos receberão o apoio político de Wagner Ramos e de seu grupo poderá ter impacto na composição de forças em Tangará da Serra e nos municípios da região.

Spz Online
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