O juiz Romeu da Cunha Gomes, da 56ª Zona Eleitoral de Brasnorte, acolheu a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o prefeito reeleito Edelo Ferrari (União Brasil). Ele é acusado de compra de votos por meio de distribuição de frangos congelados, combustível e transporte irregular de eleitores, além de aliciamento de indígenas para transferência de domicílio eleitoral. A vice-prefeita Roseli Borges, o vereador Gilmar Celso Gonçalves, conhecido como "Gilmar da Obras", e outras quatro pessoas também são investigados na ação.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), indígenas da etnia Enawenê-Nawê teriam sido alvo de intensa campanha de aliciamento para transferirem seus títulos eleitorais para Brasnorte. Os indígenas residem em uma terra localizada nos municípios de Juína, Comodoro e Sapezal, mas foram persuadidos a votar em Brasnorte mediante promessas de vantagens, incluindo dinheiro, combustível e frangos congelados.

A investigação aponta que os votos dos indígenas foram decisivos para o resultado das eleições municipais. Dos 107 eleitores indígenas transferidos para Brasnorte, 96 compareceram às urnas, um índice de abstenção muito abaixo da média do município. Edelo Ferrari foi reeleito com 4.634 votos (50,85%), vencendo o delegado Eric Fantin (PL), que obteve 4.479 votos (49,15%), uma diferença de apenas 155 votos.

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O Ministério Público sustenta sua denúncia em vídeos, depoimentos e registros de transferências bancárias, indicando que houve prática ilícita de captação de votos. Caso a denúncia seja comprovada, os acusados poderão ter seus diplomas cassados, serem declarados inelegíveis por oito anos e condenados a pagar multas de até R$ 53,2 mil.

Os investigados têm o prazo de cinco dias para apresentar suas defesas e documentos. A ação segue em tramitação na Justiça Eleitoral.