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O Ministério Público Eleitoral apresentou denúncia contra Edelo Ferrari, prefeito reeleito de Brasnorte (587 km de Cuiabá), sua vice Roseli Borges, e o vereador reeleito Gilmar Celso Gonçalves, conhecido como "Gilmar da Obras", todos filiados ao União Brasil. A denúncia envolve acusações de compra de votos, transporte irregular de eleitores e aliciamento de indígenas para transferência de domicílio eleitoral. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), protocolada nesta terça-feira (17) e assinada pelo promotor eleitoral Jacques de Barros Lopes, pede a cassação dos diplomas dos acusados, inelegibilidade por 8 anos e multa de até R$ 53,2 mil. A ação pode resultar na anulação das eleições no município.
As investigações apontam que eleitores da etnia Enawenê-Nawê, do Vale do Juruena, foram aliciados com promessas de dinheiro, combustível e frangos congelados em troca de votos. Documentos apresentados incluem vídeos, depoimentos e registros de transferências bancárias. A quebra de sigilo bancário do subsecretário de Infraestrutura de Brasnorte, Rogério Gonçalves, revelou transações financeiras para indígenas, variando entre R$ 50 e R$ 1,6 mil, além de fornecimento de combustível.
No dia das eleições, eleitores indígenas teriam recebido frangos congelados, evidenciado pela chegada dos itens na aldeia. Rogério, que teria papel central na relação com os indígenas e fluência no idioma local, foi identificado como intermediário das ações. Segundo o MP, os votos da etnia foram cruciais para o resultado das eleições. Entre os 107 eleitores transferidos para Brasnorte, 96 votaram, representando um índice de abstenção inferior à média do município. Edelo venceu o delegado Eric Fantin (PL) com uma diferença de apenas 155 votos (50,85% contra 49,15%).
A denúncia também relata transporte irregular de eleitores indígenas. Na véspera das eleições, dois ônibus enviados pelo vereador Gilmar teriam sido barrados por militares do Exército. A situação gerou confusão, com pressão sobre militares e servidores da Justiça Eleitoral. Posteriormente, dois ônibus escolares foram disponibilizados pela 56ª Zona Eleitoral para transportar os indígenas.
A investigação aponta que o transporte foi contratado por R$ 17 mil e pago via Pix por João Gomes da Silva, diretor da Equipe de Iluminação da Secretaria de Infraestrutura. Apesar do bloqueio inicial, caminhonetes teriam sido utilizadas para completar o transporte dos eleitores, custeadas por Rogério.
De acordo com uma servidora da Funai, práticas semelhantes de aliciamento de indígenas já haviam sido registradas em 2020. Desta vez, a promessa incluía melhorias na entrada interna da Terra Indígena, embora tal responsabilidade recaia sobre outros municípios.
O aumento repentino no número de eleitores indígenas registrados em Brasnorte em 2023 chamou a atenção do Cartório Eleitoral local, pois anteriormente não havia votantes da etnia na cidade. Esse fato levantou suspeitas de aliciamento direcionado.
A denúncia segue em análise, podendo alterar significativamente o cenário político de Brasnorte.
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