O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), divulgou em seu site oficial uma Nota de Repúdio contra as declarações do promotor Miguel Slhessarenko Junior, da 8ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá. O promotor defendeu o retorno das aulas presenciais em um evento realizado na última sexta-feira (29).

O Sintep-MT classificou a fala em que ele afirma que o retorno das aulas presenciais seriam para "frear o abandono e evasão escolar" como "infeliz e insensata".

A nota lembra que a pandemia do novo coronavírus mata centenas de brasileiros todos os dias, além disso, lembrou da nova variante do vírus que é ainda mais contagiosa e mortal. "A pandemia ainda mata diariamente, no Brasil, centenas de pessoas todos os dias. Até esta segunda-feira (01/02) já foram 224 mil óbitos. Em meio a uma nova variante do coronavírus e o caos instalado em diversas unidades de saúde, tanto públicas quanto privadas, ainda existem aqueles que insistem em defender o retorno presencial ou semipresencial das atividades escolares." escreveu.

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Ainda de acordo com a nota, o sindicato tem levado em consideração a problemática em torno da evasão escolar, diferente da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) que segundo a nota tem tratado sobre o assunto de maneira "desastrosa", além disso, a secretaria estaria contribuindo para este cenário. "A atuação da Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) quanto a essa questão é desastrosa e contribuiu para esse cenário por dois motivos: primeiro, porque não investiu recursos necessários para garantir que o ensino chegasse com qualidade aos estudantes da rede pública desde o início da pandemia. Segundo, ainda em meio à crise sanitária, ao invés de instituir a rematrícula compulsória de todos os estudantes que já estavam matriculados (já que o ano letivo de 2020 ainda não terminou oficialmente), obrigou os pais a rematricularem seus filhos num momento de incertezas e onde ainda não há estratégias objetivas por parte do governo sobre como se dará o retorno seguro das aulas."

O Sintep-MT afirmou ainda que declarações que desconsideram por completo a ciência e a recomendação de estudiosos podem custar a vida de milhares de pessoas e que este tipo de fala se torna ainda mais lamentável quando é dita por um membro do Ministério Público. "São irresponsáveis as declarações que desconsideram completamente a ciência e a recomendação de estudiosos quanto aos riscos aumentados de contágio pelo coronavírus com o retorno presencial das aulas. Essa irresponsabilidade pode custar a vida de centenas, milhares de pessoas e é ainda mais lamentável quando falas desse tipo, partem de um membro do Ministério Público." afirmou.

"Condenamos veementemente a fala/posição daqueles que desconsiderem a ciência, que promovem risco à vida, e que usam argumentos que colocam a vida e a saúde em segundo plano ao invés de cobrar dos governos (SEDUC e Secretarias Municipais de Educação) ações que promovam a inclusão e condições de trabalho e Ensino Aprendizagem. E, enquanto o promotor defende a volta às aulas presenciais, destacamos que o Ministério Público está em regime de teletrabalho. Se há evasão dos estudantes em razão das aulas remotas, então poderíamos afirmar que há diminuição de direitos com o teletrabalho do MPE-MT?  . Ou seja, promotores não podem atender de forma presencial mas os profissionais da Educação devem ficar expostos a uma doença que mata atendendo inúmeros estudantes? "

Defendeu ainda que o retorno presencial ou no formato híbrido das aulas devem ser retomados apenas após a população ser imunizada com as vacinas que foram e estão sendo aprovadas pela Anvisa. "O Sintep-MT reafirma a sua posição da defesa intransigente pela vida. Defendemos o retorno presencial ou híbrido somente quando a população estiver imunizada com vacina. Autoridades, sejam elas do Ministério Público, do Executivo ou Legislativo, estão ocupando cargos que, respeitadas suas atribuições, têm todas a mesma premissa: servir a sociedade. Servir a população é resguardar a vida das pessoas. Incentivar o retorno presencial das aulas, contrariando a ciência, é uma atitude no mínimo, irresponsável."