Da Redação
Grupos de indígenas buscam cada vez mais a sua independência, uma das formas encontradas para conquistar a tão sonhada autonomia é a produção e geração de renda em terras indígenas. Com este anseio, recentemente diversas etnias e instituições ligadas aos povos indígenas, buscam o apoio de entidades representativas do agronegócio, em Sapezal e região.
Um dos primeiros movimentos recentes, ocorreu durante o 15º Circuito Aprosoja, realizado no mês passado no município. O evento contou com a presença de importantes figuras ligadas ao agronegócio e ocorreu justamente em uma aldeia da região.
O Presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Fernando Cadore, acompanhado por uma comitiva de produtores rurais de Sapezal visitaram áreas de plantio da etnia Paresí, cuja cooperativa vem se destacando na região.
Para o líder do povo Paresi, Ronaldo Zokezomaiake, a produção em áreas indígenas representa a autonomia e a geração de renda para os povos, e cada vez mais, a regulamentação da produção vem sendo buscada, para que dessa forma, seja possível produzir de maneira sustentável.
“No nosso caso, nós trabalhamos a questão da autonomia econômica, geração de emprego e renda, mantendo o indígena trabalhando dentro do seu território, gerando renda para manter a sua família e ter o que ele quiser.”
Com a medida, os povos indígenas garantem melhor qualidade de vida, no que diz respeito a saúde, educação e segurança dentro das aldeias.
A produção de grãos não é o único projeto desenvolvido pela população indígena. Ronaldo explica, que cada grupo possui seus projetos, que englobam, além da produção de grãos, a pecuária, psicultura, dentre outras formas de cultivo.
“Existem vários povos indígenas pelo Brasil, que estão nesta mesma busca, porém, cada povo tem as suas características. Uns querem mexer com pecuária, outros com mineração, etc. Cada uma busca de uma forma sempre no formato profissional.”
Outro movimento distinto ocorreu durante uma visita de indígenas da etnia Enawenê-nawê ao Sindicato Rural de Sapezal, juntamente com o presidente da instituição Cleto Webler, onde buscaram apoio institucional para realizarem o plantio em seus territórios.
De outro lado, as mulheres indígenas também buscam sua independência, com projetos voltados as mulheres. Na última sexta-feira (12), por exemplo, a presidente da Associação Thuthalinasu, Cleide Adriana da Silva Terena esteve reunida com Webler, que também representa a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), para buscar apoio na produção de produtos manufaturados na área de confecção.
O projeto da associação, vem capacitando as mulheres indígenas que recebem cursos de corte e costura para posteriormente trabalharem na produção de confecções que serão comercializadas, proporcionando assim, a geração de renda para esta população.
A presidente da Câmara Municipal de Sapezal, vereadora Zildinei Panta (PL), foi quem conheceu o projeto e articulou a reunião com o representante da AMPA. Durante a reunião, Panta destacou a importância do projeto, não apenas para a população indígena, mas também para a independência feminina de maneira geral.
As diversas ações envolvendo distintas etnias indígenas, com objetivo de melhorar as condições de vida, permitindo o progresso que pode atingir, além dos indígenas, a geração de renda para uma parcela significativa da população sapezalense, seja na oportunidade de novos negócios, ou na criação de novos postos de trabalho, através de uma iniciativa louvável que merece ser vista com bons olhos.

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