Neste dia 31 de abril se completa cinquenta e sete (57) anos do fatídico golpe militar no Brasil que se estendeu por longos e terríveis vinte e quatro (24) anos, neste período as perseguições e assassinatos de opositores foram constantes e até hoje muitas famílias lutam para terem o direito de enterrar seus entes.

Com a ascensão da direita no Brasil, principalmente com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), representante mor da extrema direita retrograda brasileira se tornou ainda mais difícil se falar desse assunto, já que os revisionistas de plantão insistem em empurrar goela a baixo uma versão inexistente daquele que foi o período mais vergonhoso da história do Brasil.

São muitas as histórias de presos políticos torturados e mortos na surdina, que de forma covarde tiveram seus corpos violados por torturadores como o Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, ídolo do atual presidente da república. Quem não se lembra daquele outro fatídico momento da história, que em nome de uma falsa moral o parlamento brasileiro promoveu um show de horrores e intrujices para derrubar uma presidenta democraticamente eleita que não havia cometido crime algum, pois bem, neste mesmo evento Jair Messias Bolsonaro, que na época não passava de um mero deputado do baixo clero subiu ao púlpito e defecou a seguinte frase: “Pela memória do Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, muitas foram as vaias, mas também muitas foram as palmas.

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Penso que esse período jamais deveria ser esquecido, já que é fundamental para nossa juventude ficar a par do que aconteceu e assim, não cometerem os mesmos erros do passado. Uma pena que, pelo que me parece, as aulas de história não foram o suficiente para esse fantasma ficar no passado, até porque, dia após dia é comum vermos jovens se simpatizando cada vez mais com a ditadura brasileira, isso se dá justamente pelo fato de figuras como Bolsonaro ter ganhado os holofotes.

A ex-presidente Dilma foi uma das torturadas por este senhor, segundo relatos, Ustra chegava ao ponto de colocar ratos em vagina de mulheres, sem contar ainda os relatos de que homens e mulheres eram torturados na frente de seus filhos, uma crueldade sem tamanho.

A verdade é que este período precisa de todas as formas ser escrachado por todos os brasileiros, assim como o nazismo é escrachado pelos alemães, já que esses fizeram a lição de casa e certamente não cometerão os mesmos erros do passado, porém nunca é tarde para mostrarmos o que de fato foi aquele período e tentar de alguma forma arrancar esse saudosismo a torturadores da cabeça dos brasileiros.

*Escrito originalmente em 2019 e republicado em 2021.

Jean Borsatti é jornalista em Mato Grosso