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Domingo, 23 de Agosto 2026
Opinião

Scariote e a ilusão da nova gestão que não é tão nova assim

A ideia de que a gestão de Scariote é nova não resiste aos fatos e à realidade política.

Jean Borsatti
Por Jean Borsatti
Scariote e a ilusão da nova gestão que não é tão nova assim
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Nas recentes declarações do vereador Márcio Bonifácio (Republicanos), ficou claro o esforço para defender a atual gestão do prefeito Claudio Scariote (Republicanos), ao justificar os problemas da cidade pela “curta” duração do mandato e pelo fato de que o orçamento aprovado para este ano foi elaborado pela gestão anterior. Segundo Bonifácio, o prefeito “está no seu tempo” e precisa organizar a máquina pública antes de implementar seu plano de governo. Porém, essa defesa não resiste a uma análise mais atenta da trajetória política de Scariote em Sapezal.

Claudio Scariote não é um prefeito recém-chegado ao comando do município. Ele foi vice-prefeito da gestão de Valcir Casagrande (União) desde 2021 e chegou a assumir o cargo de prefeito em momentos em que Casagrande esteve licenciado. Ou seja, Scariote não apenas participou ativamente da administração anterior como, em vários momentos, foi o responsável direto pela condução do governo municipal. Isso torna inconsistente a narrativa de que ele estaria “começando do zero” ou aguardando o novo orçamento para implementar suas ideias.

Mais do que isso, a própria campanha de Scariote para a eleição de 2024 foi baseada na promessa explícita de continuidade da gestão Casagrande. Em seu discurso recente durante a entrega de casas populares, o prefeito deixou claro que seu governo não é uma ruptura, mas uma sequência: “Nós vamos continuar. Nós ganhamos agora mais 50 casas do governo federal... E a gente vai dar sequência, porque Sapezal precisa cada vez mais.” Essa afirmação deixa evidente que a execução do orçamento e do plano de governo aprovado deveria já estar alinhada com as ações que ele anuncia.

Portanto, o argumento de que o orçamento vigente não contempla o plano de governo de Scariote deve ser encarado com ceticismo. Se o prefeito se apresenta como continuidade da gestão anterior, ele não pode se eximir da responsabilidade pelos resultados e pela execução dos projetos e recursos herdados. A responsabilidade administrativa e política está, sim, em suas mãos desde o momento da posse.

O discurso de Márcio Bonifácio tenta minimizar críticas apontando para “limitações temporais” e burocráticas, mas isso não altera o fato de que Scariote tem ampla legitimidade e condições para agir desde o início da gestão. Afinal, um vice-prefeito que governou em ausência do titular e que se elegeu prometendo seguir o mesmo caminho deve ser cobrado pela efetividade das ações, sobretudo em áreas sensíveis como habitação, saúde e infraestrutura.

A população de Sapezal merece transparência e eficiência, e não justificativas para a morosidade. Continuar a gestão anterior não é desculpa para a lentidão na entrega dos serviços e obras prometidas, mas sim um compromisso maior, pois há continuidade e experiência para acelerar o desenvolvimento do município.

Jean Borsatti

Publicado por:

Jean Borsatti

Jean Borsatti é jornalista, tem 34 anos e é diretor de redação do Spz Online. Trabalha na imprensa desde 2009 e desde 2020 comanda o Spz Online

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