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A terceirização de serviços em prefeituras de todo o Brasil virou tendência nos últimos anos, está foi a forma que muitas prefeituras encontraram de não extrapolar o limite máximo de gastos com pessoal que é de 50% da receita corrente líquida, porém nem tudo são flores quando o assunto é terceirização de funcionários.
Além da precarização do trabalho, já que funcionários terceirizados costumam ganhar até 25% a menos que os efetivados e trabalharem até 12 horas a mais durante o mês, os funcionários terceirizados são os profissionais que mais se acidentam, já que de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acidentes de trabalho ocorrem até 60% mais onde existe a modalidade de terceirização.
Eu particularmente nunca vi com bons olhos a terceirização de pessoal, em 2015 (salvo engano), quando a então prefeita de Sapezal, Ilma Grisoste Barbosa levou essa discussão para a Câmara de Vereadores que aprovou a medida, durante uma audiência pública, eu fui uma das poucas pessoas que me atrevi pegar o microfone para criticar a medida.
Como já era de se esperar, a grande maioria dos presentes tratou a minha fala com deboche, em especial uma vereadora da época, que após o término da audiência não hesitou em vir criticar a minha fala ao dizer que a minha opinião não era bem vinda naquele debate, já que eu não era um funcionário público concursado (como se apenas estes podem dar opinião em audiências públicas).
A questão é que nem tudo é a maravilha que a propaganda institucional prega, falavam por exemplo, que a reforma trabalhista iria gerar empregos, que a reforma da previdência iria gerar emprego e com a lei da terceirização aprovada em 2017 pelo Congresso Nacional não seria diferente. É importante ressaltar que em 2017 a terceirização foi aprovada de maneira irrestrita para empresas privadas.
Desta forma, pode até ser que a terceirização no setor público veio para ajudar naquela questão citada ainda no primeiro parágrafo, mas de modo geral, esses trabalhadores sofrem com a incerteza e com a precarização do trabalho, que em tese deveria lhe dar dignidade e não desgosto.
Sim, de modo geral essa pessoa que vos escreve é contra a terceirização de mão-de-obra em qualquer área, e que não venham aqueles que defendem o Estado Fio Dental tentar me convencer que um dia o trabalhador terá poder de negociação com o patrão.
Lamento profundamente que as relações de trabalho no país tenham se tornado isso que vemos hoje, lamento pelos terceirizados, lamento pelos intermitentes e lamento por todos aqueles que em pleno século XXI ainda são escravizados. Lamento mais ainda por aqueles trabalhadores que ainda caem no papo do Estado Burguês.
Vou parar por aqui, se continuar vão me chamar de comunista e me mandar para Cuba ou para a Venezuela, mas o recado está dado: ConciÊncia de classe é o que falta no Brasil.
Jean Borsatti é jornalista.
Publicado por:
Jean Borsatti
Jean Borsatti é jornalista, tem 31 anos e é diretor de redação do Spz Online. Trabalha na imprensa desde 2009 e desde 2020 comanda o Spz Online
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